RTK na topografia: base e rover, NTRIP ou um receptor só?

Blog · GNSS RTK

RTK na topografia: base e rover, NTRIP ou um receptor só?

Quem vai comprar ou alugar um kit RTK esbarra sempre na mesma dúvida: trabalhar com um par de receptores (base e rover), com um receptor só recebendo a correção pela internet, ou sem correção em tempo real. A resposta depende de três coisas: se há internet no campo, a distância entre a base e os pontos e o tipo de levantamento.

Atualizado em 15 de outubro de 2026

Internet no campoDistância até a baseTipo de levantamento
Receptor GNSS Stonex S980+ BE, corpo preto, usado como base RTK com rádio internoBase
Receptor GNSS RTK Stonex S950, corpo azul e cinza, usado como roverRover

Na foto: Stonex S980+ BE (base com rádio interno de 2 a 5 W) e Stonex S950 (rover com rádio e modem).

Conceito

RTK em uma frase: correção em tempo real e solução fixa

RTK é o posicionamento por satélite em que o receptor que mede (o rover) recebe, em tempo real, correções vindas de um ponto de referência: uma base sua, parada num ponto, ou uma rede de estações. Com essa correção o rover resolve a fase da portadora do sinal e chega à solução fixa, o estado em que a coordenada atinge a precisão declarada do equipamento. Antes disso, a coletora mostra solução flutuante, que ainda não serve para medir ponto de precisão.

A correção pode chegar por dois caminhos: pelo rádio UHF, de uma base própria, ou pela internet, no protocolo NTRIP. É essa escolha que define o kit: um par de receptores ou um receptor só. Se você quer o glossário completo (RTK, NTRIP, CEGAT), ele está no post RTK, NTRIP e CEGAT: como receber correção no campo. Aqui o foco é decidir a montagem.

Atenção

Flutuante não é fixa. No georreferenciamento, o Manual Técnico do INCRA (2ª edição, item 3.1.2.1) só aceita RTK em limite artificial com solução fixa. Confira o status na coletora antes de gravar cada ponto.

Base + rover

Par base + rover: quando o rádio resolve

No par, a base fica parada num ponto e transmite as correções pelo rádio interno para o rover, que vai até os pontos. Uma base só atende o levantamento inteiro. O par não depende de sinal de celular nem de rede de terceiros, por isso é o caminho natural em área rural, fazenda, serra e qualquer lugar onde a internet falha.

O limite é o alcance do rádio. Ele cai em área urbana e com morro, mata ou prédio entre base e rover, e é por isso que os fabricantes informam dois números: o alcance urbano e o alcance em condição ideal. A base certa depende da distância que o rover vai trabalhar dela.

StonexRádio interno na linha S

  • S980+ BE: rádio interno de 2 a 5 W, cerca de 5 km em área urbana e até 15 km em condições ideais. É a base de maior alcance pelo rádio interno na linha Stonex.
  • S950: rádio de 2 W, de 3 a 4 km em área urbana e até 10 km em condições ideais.
  • S880: rádio opcional, ativado por código, de até 2 W, 4 km em área urbana e até 10 km em condições ideais.
  • Para ir além do rádio interno, existe o rádio externo SR35, com potências de 5, 22 e 35 W.
Receptor GNSS Stonex S980+ BE, versão preta

Stonex S980+ BE

Base com rádio 2 a 5 W

Ver no site
Receptor GNSS RTK Stonex S950

Stonex S950

Rádio 2 W e modem

Ver no site
Receptor GNSS RTK compacto Stonex S880

Stonex S880

Rádio opcional e modem

Ver no site
Receptor GNSS RTK Stonex S999 com duas câmeras

Stonex S999

Rádio opcional e modem

Ver no site

StonexSoftware de campo

Tela do software Stonex Cube-a V7 em coletora Android

Stonex Cube-a V7

Incluso nos conjuntos GNSS Stonex

Ver no site

FJDPar V1t + V10

No par FJD, a base é o V1t, com rádio interno de até 5 W e alcance declarado de até 15 km. O rover é um da linha V10 (V10a, V10i ou V10L), com rádio de 2 W e alcance típico de 6 a 12 km. A base V1t não tem câmera.

Receptor GNSS RTK FJD Trion V10a com coletora

FJD V10a

Rover com câmeras

Ver no site
Receptor GNSS RTK FJD Trion V10i com coletora

FJD V10i

Rover com medição visual

Ver no site
Receptor GNSS RTK FJD Trion V10L com laser verde

FJD V10L

Rover com laser

Ver no site
Um receptor

Um receptor só: NTRIP pela RBMC-IP do IBGE ou pelo CEGAT

Com um receptor só, a correção chega pela internet, no protocolo NTRIP. Quem envia é uma rede de estações de referência: a RBMC-IP do IBGE, que o próprio Manual Técnico de Georreferenciamento do INCRA cita (itens 3.1.2.2 e 3.1.3), ou um serviço contratado, como o CEGAT. Você não precisa montar nem vigiar uma base, e a equipe de campo pode ser de uma pessoa.

A condição é ter internet no ponto de trabalho. Ela pode vir de um chip no próprio receptor ou da coletora (ou do celular) conectada ao receptor.

StonexModem no receptor

Os receptores S880, S950, S980+ BE e S999 têm modem com entrada para Nano SIM: com o chip, o receptor recebe o NTRIP direto.

FJDModem nos rovers V10

Os rovers V10a, V10i e V10L têm modem 4G com entrada para Nano-SIM e recebem a correção NTRIP sem depender da internet da coletora. A base V1t não tem modem 4G: nela, a internet vem pela coletora.

Na prática

  • Tem sinal de celular estável no campo: um receptor com NTRIP resolve e reduz a equipe.
  • Não tem sinal, ou ele cai: par base + rover pelo rádio.
  • Trabalha nos dois cenários: o par cobre os dois, porque o rover também recebe NTRIP.

O acesso ao CEGAT é feito com IP, porta, usuário e senha que a nossa equipe fornece por escrito. Os planos estão na página do CEGAT.

Comparativo

RTK por rádio ou por NTRIP: comparação por critério

As duas montagens usam o mesmo receptor e chegam à precisão RTK declarada na ficha dele, desde que a solução seja fixa. O que muda é por onde a correção chega: pelo rádio, de uma base sua, ou pela internet, de uma rede de estações como a RBMC-IP do IBGE ou o CEGAT. Isso define o que você leva ao campo, de que sinal depende e qual método do INCRA aplica.

CritérioRTK por rádio (base própria + rover)RTK por NTRIP (rede ou CEGAT)
O que precisaDois receptores com rádio: a base, parada num ponto durante todo o levantamento, e o rover, que vai aos pontos.Um receptor com internet no campo (chip no receptor ou, conforme o modelo, a internet da coletora) e uma conta NTRIP: RBMC-IP do IBGE ou CEGAT.
Sinal de celularNão depende. A correção vai da base ao rover pelo rádio UHF.Depende. Sem internet no ponto, o receptor fica sem a correção RTK.
AlcanceO do rádio da base, que cai em área urbana e com morro, mata ou prédio entre base e rover. Os números de cada modelo estão logo abaixo.Onde houver sinal de celular. A distância que conta é até a base da rede: no CEGAT, a base mais próxima do receptor é escolhida automaticamente.
Precisão RTKA declarada do receptor, com solução fixa. A parte em ppm cresce com a distância até a sua base (1 ppm é 1 mm por km).A mesma regra: precisão do receptor com solução fixa, e a parte em ppm conta a distância até a base da rede que gera a correção.
Equipe e montagemMontar a base a cada serviço e deixá-la parada e segura enquanto o rover mede.Sem base para montar nem vigiar. Uma pessoa só pode fazer o levantamento.
Custo de operaçãoSem assinatura de correção. O custo está no segundo receptor, na compra ou na locação, e no tempo de montar a base.Um receptor só, mais a conta NTRIP e a internet no campo. O CEGAT é por assinatura, com planos diário, mensal, semestral e anual na página do CEGAT.
Método INCRAPG6, RTK convencional. Aceita limite artificial ou natural e vértices M e P; em limite artificial, só com solução fixa.PG7, RTK em rede. Aceita limite artificial ou natural e vértices M e P, com a mesma regra da solução fixa. O manual cita a RBMC-IP para o RTK em rede.

StonexRádio interno, modem e precisão RTK

ModeloRádio internoAlcance do rádioNTRIPPrecisão RTK
S980+ BE2 a 5 W5 km em área urbana; até 15 km em condições ideaisModem com Nano SIMH 8 mm + 1 ppm; V 15 mm + 1 ppm
S9502 W3 a 4 km em área urbana; até 10 km em condições ideaisModem com Nano SIMH 8 mm + 1 ppm; V 15 mm + 1 ppm
S880Opcional, ativado por código, até 2 W4 km em área urbana; até 10 km em condições ideaisModem com Nano SIM ou Wi-FiH 8 mm + 1 ppm; V 15 mm + 1 ppm
S999Opcional, ativado por código, 1 W3 a 4 km em área urbana; até 10 km em condições ideaisModem com Nano SIM ou Wi-FiH 5 mm + 0,5 ppm; V 10 mm + 0,5 ppm

Nas fichas Stonex, a precisão RTK vale para linha de base de até 30 km e é a mesma no RTK em rede. Quando o rádio interno da base não alcança, o rádio externo SR35 transmite a correção com 5, 22 ou 35 W.

FJDRádio interno, modem e precisão RTK

ModeloRádio internoAlcance do rádioNTRIPPrecisão RTK
V1t Pro (base)Até 5 WAté 15 km declaradoSem modem 4G: no par, trabalha como base pelo rádioH 8 mm + 1 ppm; V 15 mm + 1 ppm
V10a, V10i e V10L (rover)2 WTípico de 6 a 12 km; até 16 km em condições ótimasModem 4G com Nano-SIMH 8 mm + 1 ppm; V 15 mm + 1 ppm

Nos rovers V10, a precisão RTK é declarada para céu aberto. Como o rover tem rádio e modem, o mesmo V10 trabalha no par com a base V1t Pro ou sozinho, por NTRIP.

Como decidir

  • Sem sinal de celular confiável no campo (fazenda, serra, mata): rádio, com base própria (PG6).
  • Sinal estável e serviços em vários lugares no mesmo dia: NTRIP, com um receptor só (PG7), sem montar base em cada um.
  • Rover longe demais da base para o rádio no seu terreno: NTRIP, se houver sinal; sem sinal, uma base de maior potência (veja os quadros de cada marca acima).
  • Serviço curto: a locação de GNSS NTRIP no fim de semana sai por R$ 280, com retirada na sexta e devolução na segunda.
  • Georreferenciamento: os dois métodos servem para limite artificial, desde que cada ponto seja gravado com solução fixa.
PPP

Sem base e sem internet: o que o PPP entrega e o que não entrega

Existe um terceiro caminho, sem base e sem internet, e ele se divide em dois métodos que não são a mesma coisa.

PPP em tempo real (Galileo HAS)

O receptor recebe a correção direto do satélite, de graça, sem base e sem conta NTRIP. É o recurso para quando não há base nem internet, mas fica abaixo da precisão do RTK com solução fixa. Para precisão de centímetro, o caminho continua sendo o RTK (rádio ou NTRIP) ou o estático pós-processado.

StonexPPP por satélite

S880, S950, S980+ BE e S999 recebem B2b PPP e Galileo HAS.

FJDPPP por satélite

V1t, V10a, V10i e V10L recebem o Galileo HAS pelo sinal E6.

PPP pós-processado (IBGE-PPP)

Aqui o receptor grava dados no modo estático e, no escritório, o arquivo RINEX vai para o serviço IBGE-PPP, que o Manual Técnico cita no item 3.1.3. É um método diferente do PPP em tempo real: no código do INCRA, o PPP pós-processado é o PG9; o PPP em tempo real não é PG9.

Passo a passo

Como configurar o NTRIP na coletora

O roteiro é o mesmo nos apps de campo das duas marcas; muda só a tela.

  1. No app de campo, escolha NTRIP como link de correção (no Cube-a, rede interna do receptor ou rede do telefone).
  2. Informe servidor (IP), porta, usuário e senha.
  3. Escolha o ponto de montagem: na RBMC-IP, a estação de referência mais próxima de você; no CEGAT, o ponto de montagem vem com os dados de acesso e a base mais próxima é escolhida automaticamente.
  4. Informe a altura do bastão. O software soma sozinho a distância até o centro de fase da antena, por isso o valor final fica alguns centímetros maior.
  5. Espere a solução fixa antes de medir.

Os dados de acesso vêm de quem fornece a correção: na RBMC-IP, pelo cadastro no IBGE; no CEGAT, a nossa equipe manda por escrito. Se não conectar, mande um print da tela para o suporte.

Tempo para fixar

Nos receptores FJD V1t, V10a, V10i e V10L, o primeiro posicionamento sai em menos de 20 segundos com o receptor frio e a inicialização do RTK leva menos de 5 segundos. Depois de um deslocamento grande, a primeira posição pode demorar mais; se passar do normal, reinicie em céu aberto e, se continuar, chame o suporte.

O guia em PDF "Configurar o receptor" do Cube-a V7 e as videoaulas estão na página Tutoriais GNSS.

INCRA

RTK no georreferenciamento: PG6, PG7 e a regra da solução fixa

O Manual Técnico de Georreferenciamento do INCRA (2ª edição) codifica os métodos nas Tabelas 6 e 7. Para o GNSS em tempo real, os dois que interessam aqui são:

CódigoMétodoMontagem
PG6RTK convencionalPar base + rover, correção pelo rádio
PG7RTK em redeUm receptor, correção por NTRIP
PG9PPP pós-processadoEstático processado no IBGE-PPP

Três regras do manual pesam na escolha:

  • A fase da portadora é a única observável aceita para vértice de apoio e limite artificial (item 3.1.1).
  • RTK em limite artificial só com solução fixa (item 3.1.2.1).
  • Precisão do vértice: até 0,50 m em limite artificial, 3,00 m em natural e 7,50 m em inacessível (item 1.4.4).

Atenção

O manual define métodos e precisões, não marca nem modelo: o INCRA não homologa receptor. O que vale é o método aplicado no campo e os dados que comprovam o levantamento.

Locação ou compra

Alugar ou comprar o kit RTK

Na locação de GNSS as duas montagens existem: o par base + rover (normal, com câmeras ou com laser) e as unidades NTRIP (normal, com IMU, com câmera ou com medição laser).

StonexLocação e venda

Locáveis: S880, S950, S980+ BE e S999. Na compra, o software de campo Cube-a e o bastão de alumínio de 2,3 m já vão no conjunto.

FJDLocação e venda

Locáveis: V1t Pro, V10a, V10i e V10L. Na compra, o FJD sai como rover com coletora (V10 + E600) ou como par de receptores com coletora (base V1t 5 W + rover V10 + E600).

Locação

  • A partir de 2 dias; quanto maior o período, menor o valor por dia.
  • Sem caução, com contrato assinado on-line.
  • Equipamento calibrado, com certificado de aferição.
  • Retirada em São Paulo, Sorocaba, Mogi Mirim ou em aeroporto.
  • Disponibilidade de modelo e período conforme o estoque.

Na compra, a garantia é de 1 ano do fabricante (baterias e acessórios, 6 meses), com suporte por telefone, WhatsApp e e-mail durante 1 ano e treinamento presencial ou remoto. Não há preço público: você recebe uma proposta formal montada para o seu serviço. Para comparar modelos, veja Receptores GNSS.

Dúvidas

Perguntas frequentes

Preciso de base e rover ou dá para trabalhar com um receptor só?

Dá dos dois jeitos. No RTK por rádio você trabalha com um par: uma base parada num ponto e um rover, e uma base só atende o levantamento. Com um receptor só, você recebe a correção pela internet (NTRIP), da RBMC-IP do IBGE ou do CEGAT, ou grava os dados e pós-processa depois.

Qual a diferença entre RTK por rádio e RTK por NTRIP?

No RTK por rádio, você trabalha com um par: a base, parada num ponto, manda a correção pelo rádio UHF para o rover, sem depender de sinal de celular, até onde o rádio alcança. No NTRIP, um receptor só recebe a correção pela internet, de uma rede como a RBMC-IP do IBGE ou o CEGAT, que escolhe automaticamente a base mais próxima do receptor. No INCRA, o primeiro é o método PG6 e o segundo, o PG7; nos dois, limite artificial só com solução fixa.

Para usar RTK tenho que pagar assinatura?

Não para o RTK com base própria pelo rádio. Para o RTK em rede, você precisa de uma conta NTRIP, que pode ser da RBMC-IP do IBGE ou de um serviço contratado, como o CEGAT. A correção por satélite Galileo HAS é gratuita, mas não chega à precisão do RTK com solução fixa.

Posso colocar um chip de celular no receptor?

Sim, nos receptores com modem e entrada para chip Nano SIM: com o chip, o receptor recebe o NTRIP direto, sem depender da internet da coletora. A exceção é a base FJD V1t, que não tem modem e usa a internet da coletora.

Quanto tempo o receptor leva para fixar?

Em condições normais, poucos segundos: na maior parte dos receptores da linha, a inicialização do RTK fica abaixo de 5 segundos. Depois de um deslocamento grande, a primeira posição pode demorar mais; se passar do normal, reinicie o receptor em céu aberto.

RTK serve para georreferenciamento no INCRA?

Sim: o RTK convencional é o método PG6 e o RTK em rede é o PG7 no Manual Técnico de Georreferenciamento. Em limite artificial, o manual só aceita RTK com solução fixa (item 3.1.2.1).

Orçamento

Monte seu kit RTK para locação ou compra

Diga onde vai trabalhar, se há internet no campo e o tipo de levantamento: indicamos o par ou o receptor certo. Para alugar, veja também a locação de GNSS.

Pedir orçamento